os membros do Partido
Mais fortes para agir<br>no «requinte» do capitalismo
O facto de trabalhadores comunistas não poderem ser nomeados quando falam da actividade política dentro da empresa em que laboram, é expressão do avanço da contra-revolução que há 38 anos está a ser imposta em confronto com Abril. Mas a existência de militantes do PCP e organização do Partido na fábrica de uma multinacional, bandeira da restauração do capital monopolista em Portugal, não é menos notável. Antes, é tanto mais assinalável quanto não só existe, como se reforça, quer em termos orgânicos quer em influência.
Foi justamente isso que concluímos em conversa com «Cesário» e «Jaime», chamemos-lhes assim, ambos do secretariado da Célula do PCP na Autoeuropa. A sensação no final da entrevista, realizada a propósito da campanha de contacto e actualização de dados em curso, é que, nesta organização, a iniciativa seria sempre levada a cabo, uma vez que a necessidade de reforço da célula - para agir onde a luta de classes é mais evidente - é uma prioridade constante, referiram.
Ainda assim, «Cesário» e «Jaime» sublinham as medidas tomadas ao nível do secretariado, nomeadamente a divisão pelos membros do organismo de direcção e por «mais um ou dois camaradas», dos militantes a contactar. Esta primeira tradução prática da tarefa foi ainda acompanhada da avaliação das condições e obstáculos à sua execução com sucesso. Em concreto as particularidades da laboração na Autoeuropa, com diferentes turnos e várias secções.
Nessa medida, após uma primeira abordagem telefónica ou via correio electrónico com a esmagadora maioria dos militantes, procederam ao agendamento de conversas individuais, não raras vezes no local de residência. Trabalho paciente, admitiram «Cesário» e Jaime», mas que no fundamental está praticamente concretizado, permanecendo, ainda assim, alguns militantes com os dados por actualizar.
As tarefas
dos comunistas
Um primeiro balanço mais preciso sobre a campanha de contactos, bem como a discussão inicial do plano de trabalho para 2015, serão feitos no plenário de célula do próximo sábado, 29. Mas a avaliação provisória é que os objectivos estão ao alcance e no prazo estabelecido, acrescentaram os militantes comunistas.
A célula da Autoeuropa, explicaram também, tem actividade regular e tarefas distribuídas (acompanhamento de militantes e recebimento da quotização, distribuição da imprensa partidária, acompanhamento da Festa do Avante!); edita periodicamente um boletim – O Faísca – e distribui-o à porta da empresa; mantém actualizada a página da célula na Internet e assegura, todos os anos, um espaço próprio na Festa do Avante!, da construção ao funcionamento, envolvendo, para mais, muitos trabalhadores não militantes do PCP. A situação é, portanto, a de uma organização plena de vitalidade.
A iniciativa de contacto com todos os militantes permitiu, no entanto, impulsionar o reforço da célula, traduzido na responsabilização de mais camaradas pelo acompanhamento de militantes e cobrança da quotização, na passagem da distribuição do Avante! da portaria para dentro da empresa; na venda e assinatura de mais revistas de «O Militante», ou no levantamento de 150 possíveis contributos para a compra da Quinta do Cabo e o agendamento de um concerto, para Março, com bandas formadas total ou parcialmente por trabalhadores da Autoeuropa, visando angariar fundos para a campanha «Mais espaço, mais Festa. Futuro com Abril».
Quanto ao recrutamento, a próxima reunião será feita precisamente no Seixal para «brindar» a vinda ao Partido de dois trabalhadores da Autoeuropa que habitam naquele concelho, detalhou «Jaime». Outros «virão ao Partido a seu tempo, embora já estejam connosco na luta e no voto», aduz «Cesário», que realça que a doutrina é ir «namorando» os trabalhadores que se aproximam dos militantes comunistas porque reconhecem não apenas a sua intervenção na empresa e no movimento sindical unitário, mas igualmente a justeza das propostas e projecto do PCP. «Apesar de a Wolkswagen, o “requinte” do capitalismo, projectar a ideia de que não vai falhar, os trabalhadores sabem quem defende os seus interesses», conclui «Jaime».